Roberto Shinyashiki fala sobre o significado da demissão e da dificuldade de arrumar emprego

Leia e aprenda a decifrar essas mensagens em código

Um jovem cantor lírico americano, sensação de seu país, foi se apresentar no teatro Scala de Milão. Casa lotada, o astro iniciou o espetáculo. Quando terminou a primeira ária, a platéia gritou bis. Ele estranhou, mas atendeu ao pedido. Ao final, a mesma reação do público: "De novo, de novo!" Ele cantou mais uma vez. E os italianos, entusiasmados, pediram outro bis. Ele subiu ao palco duas, três, quatro vezes. Exausto, perguntou: "Quantas vezes querem que eu repita?" E uma velhinha na primeira fileira respondeu baixinho: "Até cantar direito!"

Um tempo atrás, tive uma professora de terapia chamada Jacqui Schiff. Ela estava orientando uma psicóloga que tinha o seguinte problema: seus pacientes abandonavam o tratamento após algumas sessões. Jacqui perguntou a ela como estava a sua vida afetiva. A moça respondeu:
- Ruim.
- Por quê?
- Os homens não querem compromisso. Meus namorados caem fora depois de três meses.
Jacqui comentou:
- Sei que há rapazes com dificuldade de se envolver, mas, se permanecem três meses, sinal de que querem mais do que sexo casual. O mesmo acontece com os seus clientes de terapia. Se ficam por algumas sessões é porque gostaram de você, mas faltou algo. Você precisa aprender a amar melhor. Não espere que eu a ajude a arrumar uma desculpa para explicar por que eles vão embora. Meu trabalho é fazer com que resolva seu problema.

Conto essas histórias porque tenho recebido e-mails de leitoras demitidas por algum motivo inesperado que não conseguem nova colocação. Participam de entrevistas e nada de ser aceitas. O ex-chefe alega que foi por corte de despesas. Os contratantes dizem que são boas demais para o cargo. Não são verdades absolutas. A demissão tem um recado. A dificuldade de arrumar emprego também. Poucos são aqueles que vão falar sinceramente o que faltou, como a velhinha e a professora Jacqui.

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