Apesar de casada com um modelo lindo e apaixonado, a designer de jóias Carolina não resistiu à tentação de flertar com outros homens e cometer a traição que levaria à destruição de sua história de amor.
SEMPRE FUI NAMORADEIRA, desde que me conheço por gente. Durante a adolescência, eu era do tipo que não conseguia resistir a nenhum gato bonito do colégio. Todas as minhas amigas morriam de inveja do meu jeito extrovertido e das conquistas que colecionava, mas nunca imaginei que, mais na frente, essa característica seria a culpada por destruir meu casamento e a felicidade que eu havia conquistado.
CONHECI MEU EX-MARIDO às vésperas do Carnaval de 1994 e nosso amor foi o mais bonito que experimentei até hoje. Eu o vi pela primeira vez em um desfile de fantasias num charmoso hotel do Rio de Janeiro, o Le Meridien. Enquanto não começava o evento, fiquei sentada no bar, aproveitando para tomar um drinque, e admirava as pessoas elegantemente vestidas.
EU TINHA 33 anos e me sentia feliz da vida por ser a dona do meu próprio nariz e não precisar dar satisfações a ninguém. De repente, do outro lado do saguão, enxerguei um homem jovem, alto, de cabelos claros e ar compenetrado. Perguntei a um funcionário se era um hóspede e ouvi, como resposta, que o gato trabalhava como modelo. Estava ali porque apresentaria uma das fantasias mais bonitas da noite.
DE TANTO ENCARÁ-LO, nossos olhares se cruzaram e, de imediato, me senti atraída pelo jeito meio tímido e reservado dele. Quando o moço entrou na passarela, na pele de um soldado romano, todo coberto de tons dourados, um arrepio percorreu meu corpo inteiro. Notei que o interesse era recíproco, pois seus olhos não se desviaram dos meus em momento algum. Modéstia à parte, eu estava maravilhosa naquela noite. Escolhi um lindo vestido rosa, todo bordado, que contrastava com a minha pele bronzeada pelo verão carioca e valorizava as formas do meu corpo. Na saída do desfile passei por ele, que já tinha trocado de roupa e tomava um refrigerante. Como sua fantasia ganhara o segundo lugar, decidi cumprimentá-lo pelo prêmio e puxar conversa.
O NOME DO BONITÃO ERA RICARDO e ele tinha 22 anos, 11 a menos do que eu. Fiquei sem saber direito o que falar, de tão fascinada, mas nesse momento fui salva por alguns amigos, que se aproximaram de nós e me convidaram para ir ao baile do Copacabana Palace no sábado seguinte. Percebi que ele ficou meio sem jeito, parado ali, então o convidei para ser meu acompanhante na festa. Na mesma hora um sorriso maravilhoso se abriu naquele rosto lindo. Delirei de satisfação! Rapidamente anotei meu endereço num pedaço de papel e combinamos que ele passaria em casa para me apanhar.
ADMITO QUE QUANDO parava para pensar melhor eu o achava muito jovem, mas era Carnaval e minha única intenção era mesmo me divertir. Por isso, quando a campanhia tocou no sábado marcado, abri a porta e o recebi com uma taça de champanhe e um beijinho na boca, daqueles bem estalados. Ele levou um susto! Um tanto sem graça, avisou que era noivo e estava interessado apenas em fazer novos contatos e amizades. Se minha intenção fosse algo mais, preferiria ir embora. Diante de tanta sinceridade, perdi completamente o rebolado. Como havia outros amigos em casa, que também iriam ao baile, procurei disfarçar e insisti para que ele entrasse e tomasse alguma coisa. Para desfazer o mal-entendido, afirmei que estávamos em pleno Carnaval e, por isso, o clima era de brincadeira.
QUANDO ENTRAMOS NO SALÃO do Copacabana, tratei de esnobá-lo o tempo todo, para não parecer que estava com segundas intenções. O problema é que eu não conseguia esquecer aquele fora tão direto. Notei que o rapaz procurava ser sociável e, para falar a verdade, não desgrudava do meu pé. A toda hora trazia refrigerantes e tentava puxar conversa. A grande verdade é que o Ricardo parecia ter ficado até mais sem graça do que eu. Afinal, ele não conhecia ninguém ali e eu era a sua única ligação com o resto do grupo. Como estava apenas no início da carreira de modelo e morava no subúrbio, confidenciou que ainda se sentia meio deslocado em eventos daquele nível. Aos poucos, fui relaxando e baixei a guarda. Tiramos fotos, dançamos juntos algumas músicas no meio da turma e, quando nos despedimos, às 2 da manhã, jurei para mim mesma que nunca mais o veria de novo. Por mais que eu não quisesse, ainda me lembrava de sua grosseria.
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