"Um trote de faculdade me deixou marcada para sempre"

Depois de se submeter a uma brincadeira aparentemente inocente sob um sol escaldante, a designer Carolina*, de 22 anos, ganhou cicatrizes difíceis de apagar... e de esquecer.

Depoimento a Fernanda Azevedo

"Sempre fui a garota mais branquinha da sala. Admito que até gosto dessa minha característica, mesmo tendo recebido muitos apelidos na época do colégio por causa dela. Apesar da pele claríssima, herança do sangue europeu dos meus antepassados, não costumava usar filtro solar para me proteger nem para ir à praia. Minha mãe é quem costumava pegar no meu pé para usá-lo pelo menos uma vez ao dia. Em 2002, prestes a completar 17 anos, me mudei com a família do interior de São Paulo para a capital, onde terminei o ensino médio. Dois anos depois, prestei o vestibular e entrei para a faculdade de design gráfico de uma conhecida instituição paulistana. Comecei no maior entusiasmo, mas ainda no fim do primeiro ano perdi o pique — não gostava da grade curricular e praticamente odiava o estágio. Mais: tinha acabado de pôr fim ao namoro com um cara da mesma turma.

Resolvi, então, dar rumo novo à vida. Levava as antigas apostilas do cursinho para o trabalho e estudava sempre que dava. Foi o suficiente para passar no vestibular de outra faculdade da mesma área. E tudo melhorou: dei adeus ao chefe, conheci o novo campus (lindo!) e meus colegas pareciam até mais legais. Para completar, engatei namoro com o gato de quem estava a fim.

No primeiro dia de aula, eu e outros calouros participamos de uma breve palestra, a chamada aula magna. Depois, seguimos até a avenida das Nações Unidas, local escolhido para nosso trote. Pintados com tinta guache colorida, fomos orientados a fazer pedágio nos semáforos para arrecadar o dinheiro da “cervejada de integração”. Era início de fevereiro e o sol não dava trégua. Eu vestia jeans e regata leve, assim como muitas meninas ali. Já passara por algo parecido um ano antes, mas a bagunça gostosa e a alegria de conhecer gente diferente me incentivaram a participar da farra. O problema é que as horas corriam e nem percebi que já estava demasiadamente exposta à radiação, além de desidratada.

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